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O Último Tabu Social

Escrito pela psicóloga Dra. Donna Dawson, Reino Unido

A obstipação é um estado clínico frequente, que para a maioria de nós ocorre nalgum momento das nossas vidas: de facto, investigação recente com o Dulcolax® revelou que uma em cada sete pessoas sofre de obstipação2 nalguma altura. Apesar de ser uma queixa relativamente comum, a obstipação é provavelmente o último e grande tabu social – quando chega (se é que chega) a ser discutido em público, opta-se sempre por um tom de voz baixinho e confidencial ou então por uma "piada" para evitar qualquer tipo de constrangimento. Ora, por que é que a obstipação, e falar ou lidar com esta situação, é ainda considerado constrangedor?

Os Bons Velhos Tempos

Muita da nossa repressão psicológica do ‘natural’ remonta à época vitoriana, altura em que falar sobre o sexo e as funções corporais associadas às partes ‘sexualizadas’ do corpo era fortemente desencorajado e desaprovado. É evidente que não existia um tal constrangimento nos primórdios da Bretanha Romana, quando as casas-de-banho públicas estavam equipadas com um pau e uma esponja na ponta, colocada num balde em salmoura, o equivalente ao papel higiénico de hoje!

Humor da Casa-de-Banho

Contudo, os tempos mudam e estamos agora numa altura em que aquilo que é considerado ‘proibido’ ou ’tabu’ tem uma estranha e perversa atracção – e a melhor forma de lidar com isto é através do humor. Este processo começa na escola, provavelmente a primeira ocasião em que somos obrigados a partilhar a casa-de-banho com outros – e o ‘humor’ começa a desempenhar um papel extremamente importante para ultrapassar qualquer tipo de constrangimento. Do mesmo modo, é na escola que passamos por uma ‘repressão grupal’ obrigatória no que se refere à linguagem vulgar, sobretudo em termos das funções corporais. É aí que palavras como ’cócó’ e ’rabo’ assumem um novo tom provocatório, dado que a sua utilização é reprovada pelos adultos. Daí o fascínio dos dias de hoje com o traseiro e o sentimento de diversão associado a tudo o que está relacionado com o traseiro!

Os Homens e os seus Traseiros

Os nossos traseiros podem constranger-nos tanto pelo som como pelo cheiro e recordam-nos as nossas origens animais mais humildes. As suas acções nem sempre são voluntariamente controladas, na medida em que são parcialmente reguladas pelo Sistema Nervoso Autónomo. Uma forma de evitar o constrangimento, de nos distanciarmos e de obtermos algum controlo sobre o que não é controlável consiste, mais uma vez, em utilizar o humor. Os homens são mais adeptos de utilizar o humor para lidar com os problemas ligados aos traseiros do que as mulheres: isto talvez se deva ao facto de ter sempre sido mais socialmente aceitável para os homens expressarem o seu lado terreno, sobretudo num grupo. Quando os homens são o sexo dominante numa sociedade, eles conseguem reconhecer as suas funções corporais sem medo de desaprovação ou afastamento sociais e chegam, inclusivamente, a competir com outros homens – daí o desenvolvimento do humor da casa-de-banho!

As Mulheres e os seus Traseiros

Para as mulheres, a sociedade (sobretudo a da época vitoriana) espera geralmente delas um comportamento mais contido e ‘típico de senhora’. Por isso é que, mesmo hoje em dia, ter flatulência ou ‘dar um pum’ em público é terrivelmente constrangedor para as mulheres, ao contrário dos homens, que acham imensa graça! O que impede que as mulheres desenvolvam uma neurose relativamente à sua actividade intestinal está associado ao melhor entendimento que elas têm dos seus corpos e da sua saúde (por exemplo os ciclos menstruais e a gravidez).

Reacções Corporais

Do mesmo modo (ainda que menos hoje em dia), sempre existiram diferenças sociais: quanto mais baixo estivermos na escada social, menos se tem a perder com qualquer inadequação social associada a intestinos e traseiros. Dado que as mulheres são educadas para estarem mais cientes da desaprovação do que os homens, elas tendem a apresentar mais sinais externos de constrangimento quanto a questões consideradas ’constrangedoras’ ou ‘tabu’, como a obstipação. Elas reagem mais do que os homens: coram, olham para o chão, tocam no corpo, face ou cabelo ou afastam-se. Os homens tendem a usar mais o humor ou a manterem-se silenciosos.

A Obstipação e o Trabalho

Em termos de obstipação, o inquérito3 sobre o Dulcolax® revelou que os homens podem estar a ocultar uma insegurança mais profunda quanto aos seus hábitos intestinais: o desempenho laboral dos homens é duas vezes mais afectado pela obstipação do que o desempenho laboral das mulheres e eles evitam mais a casa de banho no trabalho do que as mulheres. Os homens podem brincar em público com esses assuntos mas, quando os afectam directamente, eles tendem a sofrer em silêncio! É possível que seja a pressão escolar para se fazer humor com estas questões que impede os homens de compreenderem verdadeiramente o intestino e problemas associados.

Personalidade e Obstipação

É interessante a ligação existente entre a personalidade e a obstipação. A maioria dos químicos neurotransmissores especializados que o cérebro utiliza para transmitir informações é também produzida no aparelho gastrointestinal. A serotonina é um neurotransmissor importante e reveste-se de uma importância especial na depressão e nas enxaquecas. Dez vezes mais serotonina é produzida no intestino do que no cérebro e, como tal, é possível ver como uma mudança dos níveis de transmissores no intestino pode afectar o funcionamento do cérebro! Observou-se de forma consistente que os indivíduos com prisão de ventre crónica tendem a ser nervosos, irritáveis, rígidos e difíceis de lidar. Inversamente, as pessoas com uma boa função intestinal tendem a ser simpáticas, descontraídas e estar mais à vontade com elas próprias.

Aliviar a Obstipação

Ainda que a dieta alimentar e o estilo de vida não sejam considerados a principal causa da obstipação, 1 é aconselhável manter-se saudável através da ingestão de uma dieta equilibrada (vegetais frescos, fruta e cereais), água suficiente (pelo menos oito copos por dia) e a prática de exercício regular (por ex., caminhar). Para ajudar a evitar os sintomas da obstipação, não deve ignorar qualquer vontade de ir à casa-de-banho. Reservar algum tempo depois do pequeno-almoço ou jantar para visitas calmas à casa-de-banho também ajuda. É possível tomar um laxante de resultado comprovado, seguro e eficaz, Dulcolax®, como tratamento de primeira linha para ajudar a reiniciar o seu ritmo natural.

Bibliografia:
1. Müller-Lissner SA, Kamm MA, Scarpignato C, Wald A. Myths and Misconceptions About Chronic Constipation. American Journal of Gastroenterology 2005; www.amjgastro.com
2. Omnibus Study UK, GfK Sept 2000
3. Inquérito MORI a 1.171 pessoas em 15-19 de Fevereiro de 2002, encomendado pelo Dulcolax®

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